Público – “Nô mindjeries”: retratos de uma ponte entre Portugal e a Guiné-Bissau para combater a excisão

“Nô mindjeries”: retratos de uma ponte entre Portugal e a Guiné-Bissau para combater a excisão

26 de Janeiro de 2021 por Aline Flor

Projecto de cooperação apoia trabalho contra mutilação genital feminina e práticas nefastas tradicionais na Guiné-Bissau. Em Portugal, ainda “há muitas mulheres que continuam sozinhas”.

Antes daquele dia, Aisha, como lhe chamaremos, não se sentia “à vontade para falar e nem tão pouco esperava ouvir alguém a falar assim na primeira pessoa”. “A minha primeira experiência foi um bocadinho chocante”, recorda. Naquela palestra, Fatumata Djau Baldé, presidente do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Tradicionais Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança da Guiné-Bissau (CNAPN), “explicou tudo” o que lhe aconteceu desde que foi submetida ao fanado, o ritual de mutilação genital feminina (MGF) feito por algumas etnias no país. “Fiquei chocada, chorei bastante… Foi a primeira vez”, explica Aisha. “Depois comecei a conhecer mais pessoas e a falar e agora já falo naturalmente, sem aquele choque, aquela dor que eu sentia.”

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Imagem: Instrumentos de corte usado nas cerimónias “fanadu di mindjer”. Tiago Lopes Fernandez (2018)

Público – Mutilação genital feminina julgada em Portugal pela primeira vez

Mutilação genital feminina julgada em Portugal pela primeira vez

13 de Novembro de 2020 por Aline FlorMiguel Feraso Cabral (Ilustração)

Em cinco anos desde a criação da lei, é o primeiro caso que chega a tribunal. Processos arquivados pelo Ministério Público mostram prontidão para proteger crianças e prevenir casos, mas também a dificuldade de provar o crime.

Cinco anos depois de ter sido criado o crime de mutilação genital feminina (MGF) em Portugal, começa hoje a ser julgado no tribunal de Sintra o primeiro caso em que uma jovem mãe é acusada de praticar ou autorizar esta prática sobre a filha bebé, que tinha cerca de um ano e meio quando ambas estiveram na Guiné-Bissau. A mãe, que vive em Portugal desde criança, afirmou sempre que não cortou nem deixou que ninguém tocasse na bebé para a submeter à prática. Este crime é punido com uma pena de prisão que pode oscilar entre os dois e os dez anos.

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Como chegar às vítimas de mutilação genital? Criando uma rede para cuidar de meninas e mulheres

13 de Novembro de 2020 por Aline Flor

Mais de metade dos inquéritos abertos em Portugal por eventual crime de MGF tiveram origem na Amadora, onde uma comunidade de saúde atenta confirma os resultados do projecto Práticas Saudáveis.

Estima-se que vivam em Portugal mais de 6500 mulheres submetidas à mutilação genital feminina (MGF) e que cerca de 1800 raparigas com menos de 15 anos estejam em risco de o ser. Destas meninas e mulheres, conhecemos apenas cerca de 500, a maioria das quais sinalizadas décadas depois do corte, graças a um esforço da área da saúde para identificar sobreviventes desta prática. Quase metade destes casos foram registados apenas nos últimos dois anos, em grande parte em resultado do projecto Práticas Saudáveis, que actua em dez territórios na região de Lisboa e Vale do Tejo para formar profissionais de saúde e capacitar as equipas para actuar em conjunto com escolas e associações comunitárias.

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Público – “Ah, mas você não é brasileira?” Estereótipos marcam o dia-a-dia das brasileiras em Portugal

“Ah, mas você não é brasileira?” Estereótipos marcam o dia-a-dia das brasileiras em Portugal

8 de Agosto de 2020 por Aline Flor

Desde meados de Julho, dezenas de histórias de preconceito, assédio e discriminação têm sido partilhadas na página “Brasileiras não se calam”. Com mais de 15 mil seguidores, o grupo já deu origem a uma rede de entreajuda para brasileiras que vivem em Portugal.

O podcast Do Género ouviu uma das autoras da página, que prefere identificar-se apenas como Maria e fala sobre as discriminações e desconfortos por que passam as mulheres brasileiras em Portugal e pelo mundo.

Ouvimos ainda Mariana Selister Gomes, docente na Universidade Federal de Santa Maria e doutorada pelo ISCTE com uma tese sobre o imaginário da mulher brasileira em Portugal, Camila Craveiro Queiroz, professora do Centro Universitário de Goiás​ e doutorada pela Universidade do Minho com uma tese sobre as vivências de migrantes brasileiras com mais de 50 anos, e Maria Magdala, presidente da associação Comunidária.

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“Brasileiras não se calam” e estão cansadas de assédio e preconceito

7 de Agosto de 2020 por Aline Flor

Desde meados de Julho, dezenas de histórias de preconceito, assédio e discriminação têm sido partilhadas na conta “Brasileiras não se calam” no Instagram. Com mais de 15 mil seguidores, o grupo já deu origem a uma rede de entreajuda para brasileiras que vivem em Portugal.

Moro há 17 anos em Portugal e até hoje ouço piadas diariamente. Nada mudou. Quando eu tinha 11 anos fui chamada puta pela primeira vez por um colega da escola. Onze anos. Hoje estou com 27 e ainda ouço os comentários do tipo.” O desabafo não tem assinatura, mas não é preciso ir longe para encontrar experiências semelhantes: pergunta a qualquer amiga brasileira.

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Público – Quem cuida das vítimas de violação?

Hospitais pouco preparados para lidar com homens vítimas de violência sexual

9 de Fevereiro de 2020 por Aline Flor

Amadora-Sintra falhou no atendimento a homem vítima de violação. Queixa foi arquivada porque não havia protocolo para homens, apenas para mulheres. Hospital já reviu protocolo, mas DGS não confirma se situação ocorre noutros hospitais.

Em Maio de 2019, Diogo procurou a polícia para denunciar uma violação de que tinha sido vítima dois dias antes. Foi logo encaminhado para as urgências do Hospital Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), mas não houve urgência no tratamento ou na recolha de prova e o jovem acabou por ficar seis horas à espera. Foi atendido já de madrugada. No consultório, Diogo, que tem um défice cognitivo, não foi sequer ouvido pela médica, que se dirigiu sempre apenas à mãe. Não lhe foi logo proposta a profilaxia pós-exposição, que impede a transmissão de infecções como o VIH. Sendo tão tarde, o gabinete da Medicina Legal — que tinha estado a postos para atender Diogo, depois de ter sido alertada pela polícia — já só o veio a atender de manhã.

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Quem cuida das vítimas de violação?

9 de Fevereiro de 2020 por Aline Flor

Orientações da tutela não poupam vítimas de trauma das longas esperas nas urgências. Encaminhamento para apoio psicológico também está fora dos passos recomendados, sendo garantido por projectos especializados fora do SNS.

Em Setembro do ano passado, Jorge foi coagido a ter relações sexuais com uma mulher desconhecida, que o terá abordado numa discoteca em Coimbra num momento em que, depois de consumir álcool em excesso, não se encontrava capaz de dar o consentimento. “O estado de embriaguez no qual me encontrava não me permite recordar todos os momentos da noite”, relata ao PÚBLICO, num contacto por e-mail. Lembra-se de “apenas alguns episódios”, diz, entre os quais “alguns do momento do abuso”. No dia seguinte, ao acordar, o que o perturbava era “a dúvida e suspeita muito grandes de não ter sido usada protecção”.

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Público – Prevenção da transmissão do VIH na gravidez é uma “história de sucesso”

Prevenção da transmissão do VIH na gravidez é uma “história de sucesso”

1 de Dezembro de 2019 por Aline Flor

Há mais de duas décadas que se sabe como prevenir a transmissão. Nos últimos dez anos, nasceram pelo menos 2378 bebés em Portugal filhos de mulheres infectadas com o VIH.

Gisela já começou a sentir o bebé a mexer. “Até demais”, brinca. Com 21 semanas de gravidez, as análises estão bem, não tem perdas de sangue, continua a tomar ácido fólico e ferro. Daqui a algumas semanas seguem-se as análises à glicose, para despiste de diabetes. “Carga viral indetectável”, nota a médica, olhando para o registo. “Tem feito a medicação toda certinha, todos os dias?” A resposta é positiva. “Vamos então ouvir o bebé e medir a barriga”.

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Público – “És um gender?” O impacto das narrativas anti-género pela Europa

“És um gender?” O impacto das narrativas anti-género pela Europa

2 de Setembro de 2019 por Aline Flor

No episódio desta semana do programa Do Género, falamos sobre o impacto dos movimentos contra a chamada “ideologia de género”, que estão a ganhar força na União Europeia e ameaçam os direitos das pessoas LGBTI, saúde sexual e reprodutiva das mulheres e estudos de género.

Ouça as histórias dos activistas búlgaros Monika Pisankaneva, fundadora do Bilitis Resource Center (a associação LGBTI há mais tempo a actuar no país) e Dimitar Pizhev, da Glas Foundation; o jornalista Roman Imielski, editor da secção Nacional do jornal polaco Gazeta Wyborcza, e a croata Natasa Biselic, especialista em saúde e direitos sexuais e reprodutivos do CESI – Centro para Educação, Aconselhamento e Investigação.

Leia também a reportagem sobre como nasceu esta onda anti-​“ideologia de género” e como está a tornar-se mainstream em vários países da União Europeia.

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Público – Dos Prides às marchas críticas: O Orgulho também se vende?

Dos Prides às marchas críticas: O Orgulho também se vende?

21 de Julho de 2019 por Aline Flor

No ano em que Lisboa abriu a marcha LGBT ao apoio de empresas, o Orgulho do Porto saiu à rua sob o lema: “O Porto não se rende e o Orgulho não se vende.” Noutros países, há cada vez mais marchas alternativas. Animar ou libertar a malta — o que faz falta?

No ano em que se completam 50 anos desde a revolta de Stonewall, a marcha do Orgulho LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, intersexo e outras identidades) de Nova Iorque dividiu-se. De um lado manteve-se a gigantesca NYC Pride March, organizada pela Heritage of Pride; do outro, a nova Queer Liberation March, uma proposta do colectivo Reclaim Pride Coalition, que seguiu o percurso original de 1970. No ano em que a cidade recebe também os eventos do Worldpride, esta coligação de associações acusa a Pride de se ter tornado uma montra publicitária para grandes marcas, deixando de espelhar as reivindicações mais urgentes da população LGBT e desviando-se da mensagem original altamente politizada dos primeiros protestos, em 1969.

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Público – Reagiu ao assédio sexual e foi repreendida pela chefia. “Isto é um mundo de homens”

Reagiu ao assédio sexual e foi repreendida pela chefia. “Isto é um mundo de homens”

9 de Junho de 2019 por Aline Flor

Mais de um em cada dez trabalhadores portugueses terão sofrido assédio sexual no local de trabalho. “Estragaram-me a vida toda”, relata uma vítima a quem o processo retirou tranquilidade ao longo de dois anos. “Devia ter-lhe dito, peço desculpa pelo incómodo, pode tirar as mãos das minhas partes íntimas?”

A gota de água aconteceu há precisamente dois anos. O episódio que gerou a queixa de Sónia M. por assédio sexual ocorreu ao fim de meses de insinuações impróprias, feitas por um colega. Trabalhavam na mesma agência bancária, em Tondela, e apesar de não ser a pessoa a quem reportava hierarquicamente, era o responsável pela aprovação de um crédito à habitação que Sónia precisava que fosse revisto depois do divórcio. Ao longo de meses, entre Janeiro e Junho de 2017, sempre que perguntava como estava a análise do seu processo, o homem dava-lhe respostas como: “Já sabes o que tens de fazer.” Um dia, quando Sónia se deslocou à zona de refeições para encher uma garrafa de água, o gerente seguiu-a, agarrou-a por trás, apalpou-a na zona genital e disse-lhe: “Tenho aqui um preservativo no bolso. Vamos lá?”

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Público – Os homens também são vítimas de abuso sexual

Os homens também são vítimas de abuso sexual e há uma associação que já ajudou 146

18 de Janeiro de 2019 por Aline FlorMiguel Feraso Cabral (Ilustração)

Associação de apoio a homens vítimas de violência sexual, a Quebrar o Silêncio, funciona há dois anos e duplicou os atendimentos em 2018. Maioria das vítimas demora entre 20 a 30 anos a falar sobre os casos.

Prestes a completar 51 anos, Miguel sente que voltou à vida. Durante quase três décadas, viveu de forma “errante em todos os sentidos”. Saiu de casa dos pais aos 17 anos, aprendeu artes marciais, trabalhou como segurança na noite e a fazer “cobranças difíceis”, consumiu substâncias ilícitas, arranjou muitas confusões. Foi esta a personagem “durona” que criou para o mundo — mas o que os outros não viam era que mal conseguia “viver dentro da sua cabeça”. Até que, quando se casou e teve uma filha, a vida estável começou a ficar marcada pelo trauma que vivia dentro de si.

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Público – A escola fica muito melhor quando mostra todas as cores

A escola fica muito melhor quando mostra todas as cores

11 de Outubro de 2018 por Aline Flor

O dia do coming out, que celebra esta quinta-feira as “saídas do armário”, levou o PÚBLICO a visitar a secundária da Ramada, onde um grupo de alunos passou os últimos dias a colorir os intervalos, tornando a escola num lugar mais inclusivo. Isto na semana em que uma escola do Porto está no centro das atenções por causa de um questionário à orientação sexual.

Esta semana, na Escola Secundária da Ramada (ESR), em Odivelas, os dias começaram com mais cor nos intervalos. “Não é uma escolha, eu sou assim!”, lê-se num cartaz com um arco-íris, ao lado de outro com vários corações e com as palavras “Dia Internacional do Coming Out” e fotografias de jovens gays e lésbicas a beijarem-se.

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